Por que nos acostumamos a não ter transporte de qualidade (se é um direito de todo cidadão)?

Por que nos acostumamos a não ter transporte de qualidade (se é um direito de todo cidadão)?
11 dez 2016

Vivo em uma grande cidade no Brasil e, assim como a maioria da população, utilizo transporte público, mas sem muito conforto e segurança. Para chegar até a estação do metrô ou ao ponto de ônibus, muitas vezes, enfrento filas e corredores lotados. Parecemos um bando de pinguins marchadores ou ainda um monte de bois no confinamento indo para o abate. Sim, parece meio catastrófico, porém é nossa realidade – e o pior é que nos acostumamos com ela.

Achamos normal estar no trânsito durante muito tempo, ou ainda ter calçadas que parecem verdadeiras pistas de corrida de aventura, com buracos, lixo, pessoas aos montes, fezes de cachorro… Enfim, com grandes obstáculos.

Isso sem falar nas inúmeras dificuldades para as pessoas que têm mobilidade reduzida e outras deficiências. Temos, sim, pontos, calçadas e avenidas já preparadas, mas, comparativamente ao total, é uma porcentagem muito pequena.

A necessidade de calçadas padronizadas, lisas e bem cuidadas e de responsabilidade compartilhada entre os cidadãos e as prefeituras é outro ponto importante nessa discussão.

A nossa constituição convencionou no seu artigo 5º o direito a todos os cidadãos brasileiros de ir e vir. E este é parte integrante do direito à liberdade. Quando falamos de mobilidade urbana não estamos falando de uma proposta de governo ou de uma meta empresarial, mas sim de um direito que temos só por termos nascido neste país “bonito por natureza”.

Precisamos cada dia mais de inovações e quebras de paradigmas dentro da gestão urbana e da cultura dos moradores destas grandes cidades. Em alguns países, como no Japão, por exemplo, existem calçadas subterrâneas com esteiras rolantes em ruas muito movimentadas, primeiramente para épocas de neve e segundo para dividir o fluxo destes locais muito movimentados.

O transporte subterrâneo, como o metrô, pode ser um investimento muito alto para algumas cidades, mas o que aprendemos com estes grandes eventos que o Brasil sediou nestes últimos anos foi a importância dos veículos leves sobre rodas e os veículos leves sobre trilhos que começaram a funcionar em algumas cidades juntamente com os corredores exclusivos. Ainda dá um trabalho para implementar, não deixa de ser um investimento alto, porém o retorno a médio e longo prazo para a mobilidade é muito interessante.

Os carros próprios que as pessoas estão colocando para alugar e o serviço de passageiro por meio de carros compartilhados, juntamente com a alta tecnologia dos aplicativos, é outra maneira de tirar carros das ruas e deixar o trânsito fluir melhor. Ah, sem esquecer também das bicicletas compartilhadas, que os grandes bancos enxergaram como uma plataforma de comunicação de suas marcas e de solução de mobilidade para as grandes cidades, tal qual o apoio e patrocínio dessas empresas a ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas.

Outra discussão atual é a diminuição da velocidade nas ruas. Muitos países desenvolvidos já adotaram há algum tempo e o resultado tem sido a redução do trânsito e do número de mortes por acidentes também.

Pois é, não existe somente uma solução milagrosa para a mobilidade urbana. Trata-se de um conjunto de boas práticas. E um desafio e tanto! Ainda mais no Brasil, onde há o agravante da batalha pelas vendas de carro e combustível, os grandes pilares da nossa economia.

Não quero fazer aqui o papel de um urbanista, ecochato, arquiteto ou engenheiro de tráfego. Sou apenas um cidadão que também sofre no dia a dia com a falta de mobilidade urbana e que sonha, ensina e escreve para poder ter mais tempo com a família e ter o direito de ir e vir com mais segurança e conforto. Vamos buscar este direito juntos?

Escrito por Marcus Nakagawa, sócio-diretor da iSetor, professor de graduação e pós da ESPM, idealizador e diretor administrativo da Abraps e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorsimo e estilo de vida. 


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Observações

  1. Caro Marcus, a interpretação tua sobre o direito à liberdade de locomoçã no mínimo distorcida. Que possas ir e vir, não significa que alguém deva te construir uma rua subterrânea com esteira.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1902

  2. o meu comentário é sobre o transporte tenho um ponto de vista que nossos governantes nunca vão colocar um meio de transporte publico de qualidade pois fazendo isso não necessitaríamos de tantos carros nas ruas que pagamos absurdos em verdadeiros lixos sobre rodas e a também a industria das multas e nossos famosos auto peças que na maioria das vzs só nos vendem porcarias

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