A reflexão de uma NÃO vegetariana sobre por que deveríamos comer menos carne

A reflexão de uma NÃO vegetariana sobre por que deveríamos comer menos carne
23 fev 2016

Jargão comum em nossa sociedade, quando pensamos em práticas alimentares, nos diz que “Você é o que você come”. Mas a realidade talvez seja ainda mais complexa e interdependente, mostrando que “O planeta é o que você come”. Sim, o que comemos não é apenas uma reflexão individual, mas coletiva.

Abandonarei aqui o diálogo extremista, começando por revelar que não sou vegetariana. Embora desde que me conheço por gente tenha convivido com vegetarianos e por períodos da minha vida tenha abolido a carne vermelha do cardápio, a verdade é que não há uma exclusão completa e total da proteína animal nas minhas refeições.

Acredito que, por isso mesmo, posso fazer essa reflexão, talvez de forma menos passional e mais pautada em dados e estudos. Também acho importante dizer que muito do que compartilharei aqui está disponível com mais conteúdo e profundidade no documentário Cowspiracy, que pode ser visto no Netflix. O trocadilho “cowspiracy”, em inglês, usado no título já dá a dica sobre o teor do filme, que sugere que vivemos em uma espécie de conspiração em que não são debatidos os impactos da agropecuária na vitalidade planetária.

Primeiramente, enfocarei o viés da sustentabilidade. Estudos das Nações Unidas comprovam que a prática da pecuária produz mais gases de efeito estufa do que as emissões de TODO o setor de transportes. Ou seja, a indústria bovina produz mais gases de efeito estufa do que carros, caminhões, ônibus e trens JUNTOS. A ONU, junto com outras agências, sinaliza que a pecuária é a maior fonte de degradação do meio ambiente da atualidade.

A reflexão também é fundamental quando pensamos na crise hídrica. Um dos trechos do documentário sinaliza que “para produzir um hambúrguer de 113 gramas são utilizados 2.498 litros de água. Isso significa que comer um hambúrguer equivale a tomar banho por dois meses inteiros.” Ui!

Se pensarmos a fundo nessas informações, é impossível não ficarmos impactados. Quer dizer, se você deixou o carro em casa e anda de bicicleta, bem como toma banhos rápidos entre 10 e 15 minutos por dia, mas come carne vermelha cotidianamente, continua gerando impacto ambiental. E não pouco impacto. Um impacto considerável.

Novamente reforço o que comentei no começo do texto. Não quero dizer com isso que todos devam parar de comer carne imediatamente. No entanto, a reflexão sobre os impactos das nossas ações para a sociedade e para o meio ambiente vão realmente além do que gostamos de pensar ou refletir.

O prato que temos todo dia em nossa mesa pode agravar o quadro ambiental ou contribuir para a preservação do meio ambiente. Neste sentido, fazer um dia sem carne na semana ou equilibrar a dieta alimentar ao longo do mês pode ser mais saudável para o nosso organismo e mais salutar para a vida da Terra.

Durante o documentário, também foi impossível que eu não tivesse uma reflexão, na direção de questionar os nossos hábitos alimentares ao longo da história. Quer dizer, será que continuamos comendo de forma semelhante aos nossos antepassados, que não tinham tanta informação ou tecnologia?

Por fim, vale a reflexão sobre qual é a importância de cada ser vivo. Quando me pego nessa linha argumentativa, quase sempre me lembro de pessoas que sinalizam que a cadeia alimentar é algo natural. Sim, é verdade. Há uma cadeia alimentar. Contudo, somente o ser humano é capaz de criar animais em isolamento, com maus tratos, hormônios e afins para assegurar uma maior qualidade alimentar – e, além disso, uma renda expressiva para um pequeno grupo de agropecuaristas.

Daí concluo, o que comemos é uma questão de sustentabilidade, de importância da vida (não somente do Homo sapiens) e de política. É, não há saída. O planeta é o que a gente come. E por mais difícil que seja mudar um hábito alimentar que cultivamos por toda a vida, que nos foi ensinado e que facilita processos de sociabilização, realmente esta é mais uma mudança que se faz necessária para hoje.

P.S: Agradeço à amiga Virginia Castro que gentilmente tem conduzido meu caminho de volta a este mundo.


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