O café que contrata apenas mulheres vítimas de ataques com ácido a fim de empoderá-las

Taken at Sheroes Hangout, Agra featuring Ms. Neetu, Mrs. Geeta, Ms. Ritu and Ms. Anshu
27 jun 2017

147. De acordo com o Ministério do Interior da Índia esse é o número de mulheres que foram atacadas com ácido no país em 2015. Trata-se do último levantamento feito sobre o problema, que, além de ultrapassado, está subestimado. Isso porque grande parte das mulheres atacadas nem sequer chegam a denunciar seus agressores para a polícia.

A fim de empoderar essas vítimas e também conscientizar sobre a importância de combater esse crime, nasceu o Sheroes Hangout (nome que quer dizer “Ponto de Encontro de Heroínas”, em português). Trata-se de um café, com unidades nas cidades indianas de Agra, Lucknow e Udaipur, em que só trabalham mulheres que já foram vítimas de ataques com ácido.

A ideia é que parem de se esconder do mundo, como acontece com a maioria das pessoas que passam por essa situação, e usem sua força para inspirar outras vítimas a fazer o mesmo e recuperar suas vidas. Um vídeo que é passado no café também conscientiza clientes a não discriminar essas pessoas pela aparência e denunciar casos semelhantes às autoridades. Legal, não?

No cardápio, apenas delícias típicas do norte da Índia, além de pratos da culinária continental. E o mais bacana: as opções do menu não têm preço. Os clientes pagam o quanto acham que devem. Segundo a gerência do Sheroes Hangout, os frequentadores costumam ser generosos. Mas, em épocas de “vacas magras”, o café faz campanhas de financiamento coletivo na internet para se manter. Pessoas do mundo todo dispostas a ajudar essas guerreiras é que não faltam. Afinal, elas merecem!

Foto: Divulgação


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Débora Spitzcovsky
Débora Spitzcovsky

Débora Spitzcovsky é jornalista, formada pela Universidade Metodista de São Paulo e, desde o início da carreira, atua na área da sustentabilidade. Atualmente, é analista de comunicação sobre o tema na Duratex

Observações

  1. muito legal!

    • J.C.Sobrinho Diz: julho 2, 2017 at 2:22 pm

      Consultei o dicionário on line e me inteirei do significado do termo “empoderar”, que no contexto desta publicação equivale a dar o poder de voltar a ter a autoestima, uma vez que as mulheres tiveram seus rostos desfigurados pela ação do ácido. Empoderar significa dar poder, portanto, não é um invenção de palavra nova, e sim a utilização de palavra já existente. Estas mulheres estão recuperando o poder de se mostrarem no trabalho para o qual estão sendo contratadas, estão exercendo o poder de dar exemplos de coragem e determinação de se mostrarem vítimas de atos de covardia, estão tendo o poder de se sentirem úteis, etc. Existem as palavras empoderar e empoderar-se, a primeira é dar o poder a alguém, a segunda é o auto empoderamento.

  2. EDUARDO B CHAVES Diz: julho 2, 2017 at 1:21 am

    Vv são loucos INVENTANDO verbos como “empoderar”. Já até liguei para a Academia Brasileira de Letras e eles NÃO sabem do que se trata. Inventam uma língua nova sem cerimônia, diria minha avó. O Zé Rubem (Fonseca) diz que só pode inventar palavra nova quem escreveu pelo menos três livros. Duvido que seja o caso. Pelo menos EXPLIQUEM o significado desse verbo. Grato.

  3. J.C.Sobrinho Diz: julho 2, 2017 at 2:03 pm

    Mil desculpas para um humilde comentário: ninguém está inventado o termo “empoderar”, ele existe e significa dar poder, dar autoridade, investir na autoestima, e foi no sentido de investir na autoestima que tal termo se insere no contexto deste artigo. Mulheres com poder nenhum, com pouca ou nenhuma autoestima, envergonhadas das feições fisionômicas prejudicadas pela ação do ácido, estão podendo (verbo poder) aproveitar da oportunidade de poderem se mostrar ao público e poderem servir de exemplos de coragem e determinação. No exercício do poder de fazer estas coisas, elas, as mulheres vítimas do ácido, estão sendo “empoderadas”.

    • J.C.Sobrinho, em tempos de mimimi e de gente babaca que empodera-se escondido atrás do monitor se achando o todo-poderoso dono da razão, é gratificante ver pessoas como você, que com sutileza e educação, trazem explanações sobre questionamentos e dúvidas geradoras de pequenas discussões.
      Como disse também o Renato, nem importa a palavra, louvável é a atitude! Mesmo que não existisse essa palavra, o assunto é o amor que envolve aquelas pessoas. Amor que, certamente, falta aos empoderados que estão bem seguros e confortáveis atrás do monitor…

  4. Século XXI em que tudo se sabe, as notícias nos chegam de forma instantânea e tem gente, preguiçosa que, ao invés de amansar sua ignorância, pelo caminho ridículo da preguiça, prefere escrever asneiras, criticar… Ano 2017 e tem criatura que acha que empoderar é palavra “inventada” agora!

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