Mulher encontra pedido de socorro de ESCRAVO dentro de brinquedo fabricado por ele

Mulher encontra pedido de socorro de ESCRAVO dentro de brinquedo fabricado por ele
09 mar 2016

Parece história de filme, mas aconteceu na vida real. Em um dia comum, a norte-americana Julie Keith foi ao mercado comprar artigos de decoração para o Halloween. No entanto, dentro de um dos brinquedos que escolheu para assustar quem passasse em frente a sua casa, encontrou algo apavorante de verdade: um pedido de socorro de um escravo chinês, que vivia em condições desumanas em um campo de trabalho forçado chamado Masanjia.

Jornadas de trabalho diárias de mais de 12 horas, sem descanso nos finais de semana ou feriados, além de espancamentos, privação de sono e torturas psicológicas foram alguns dos horrores descritos, em um inglês meio torto, por Zhang (codinome escolhido pelo escravo chinês). “Se você comprar este produto, por favor, mande esta carta para a Organização Mundial de Direitos Humanos. Milhares de pessoas na China (…) vão ser gratas para sempre”, dizia o homem, no bilhete encontrado por Keith.

A norte-americana até tentou pedir ajuda a alguns grupos defensores de direitos humanos, mas, sem sucesso, recorreu ao Facebook. Foi na rede social de Zuckerberg que a história teve repercussão e ganhou o noticiário internacional, alertando para o problema do trabalho escravo na China e de como nós, consumidores, acabamos patrocinando essas atrocidades por falta de informação. (LEIA TAMBÉM: 5 empresas envolvidas com trabalho escravo)

O episódio aconteceu há alguns anos: Zhang escreveu o pedido de socorro em 2008, Keith comprou o brinquedo em 2011 e o bilhete foi encontrado pela consumidora só em 2012. No entanto, a história ganhou os noticiários novamente. Isso porque a CNN encontrou o escravo chinês autor da carta e, sob garantia de anonimato, conseguiu que ele concedesse sua primeira entrevista contando os horrores que viveu em Masanjia.

Segundo Zhang, ele foi levado ao campo de trabalho forçado pela própria polícia chinesa (!!), pouco antes dos Jogos Olímpicos de Verão que aconteceram em Pequim, em 2008. O motivo? O mesmo que levou outras milhares de pessoas a serem escravizadas em Masanjia: divergências políticas e religiosas. Zhang era seguidor de um movimento espiritual chamado Falun Gong, que desde 1999 era proibido pelo governo chinês por ser considerado um “culto maligno”.

Condenado a viver no campo de trabalho forçado – onde a tortura era mais intensa para aqueles que, como Zhang, recusavam-se a mudar suas crenças políticas e religiosas –, o chinês decidiu pedir ajuda por carta. Foram 20 bilhetes escritos na “ilegalidade”, com papel e caneta contrabandeados, e só um deles teve o destino que Zhang esperava. Cerca de três anos depois que o pedido de socorro foi escondido no brinquedo, Keith comprou o produto em um mercado dos EUA e encontrou o bilhete 12 meses depois.

Hoje, Zhang está livre e Masanjia, aparentemente, foi desativado. O chinês, no entanto, continua lutando por aqueles que não tiveram a mesma sorte que ele e continuam escravizados na China. Segundo Zhang, ainda há muitos campos de trabalho forçado no país asiático.

Até quando?

Foto: Julie Keith/Divulgação


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Débora Spitzcovsky
Débora Spitzcovsky

Débora Spitzcovsky é jornalista, formada pela Universidade Metodista de São Paulo e, desde o início da carreira, atua na área da sustentabilidade. Atualmente, é analista de comunicação sobre o tema na Duratex

Observações

  1. Esse é o exemplo de governo e de democracias que os partidos de esquerda defendem. PARABÉNS!

  2. marcello rego Diz: março 28, 2017 at 4:03 pm

    o bilhete só foi lido três anos depois que ele escreveu. democracia é algo difícil de se ter nesses países asiáticos . concordo com a democracia , mas não essa baderna que tem que tem no brasil para não dizer palavra pior.

  3. E se os escravos, por exemplo, do agronegócio brasileiro tivessem a oportunidade de nos enviar seus pedidos de socorro, hem, sr victor ? E as opressões praticadas pelos ditos países da “direita”? que sabes do horror do capitalismo, da segregação, da fome, do desmatamento indiscriminado, de guerras sem sentido únicamente de “olho” na riqueza do outro, das crianças sem teto, esfomeadas, prostituidas, sem escola que trabalham de forma análoga ao escravo nas colheitas, abatedouros, minas… como é cômodo sentar sobre a cola e falar da cola alheia, hem? E com o DESgoverno que temos no brasil, o mesmo que está tirando, inclusive os SEUS direitos esse é bom, hem? Antes de escrever bobagem inteire-se dos fatos sem paixões descabidas e fazendo papel de MIDIOTA, é mt. feio!

    • rubem weber Diz: março 29, 2017 at 6:20 am

      IMPRESSIONANTE O QUE EXISTE DE DEFENSORES DO COMUNISMO EM NOSSO PAÍS, MAS GARANTO QUE NÃO FICAM UM MÊS SOB A ESCRAVIDÃO MARXISTA, VOLTAM VOANDO PRA OPRESSÃO CAPITALISTA, AFINAL AQUI TAMBÉM TEM MISÉRIA, MAS NÃO DENTRO DE CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO. COMUNISMO PROS OUTROS É UMA MARAVILHA, PROS OUTROS !

    • Concordo com o Vitor e discordo completamente do que escreveu o A.ali DIZ; pois se no Brasil estamos vivendo sob o domínio de políticos corruptos e do capitalismo opressor como você diz então cabe a nós o direito de nas próximas eleições escolhermos melhor nossos representantes. O capitalismo tão criticado por você é o mesmo que te dá emprego com condições de levar uma mais ou menos boa, a não ser que você seja daqueles que preferem viver de cesta básica, bolsa família e outras benesses dadas em troca do voto.

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