Crianças asiáticas trabalham mais de 12 horas por dia em confecções têxteis, denuncia entidade internacional

Crianças asiáticas trabalham mais de 12 horas por dia em confecções têxteis, denuncia entidade internacional
24 jan 2017

Sabe aquelas peças de roupa que são vendidas por pechinchas no comércio? Muito provavelmente, elas foram confeccionadas à custa de muito sofrimento infantilafinal, em algum momento do processo o fabricante precisa ter lucrado para conseguir vendê-las tão barato.

A mais nova denúncia sobre o assunto foi feita pela entidade internacional OverSeas Development Institute, que divulgou relatório em que aponta que cerca de 3 mil crianças trabalham em condições desumanas na cidade de Dhaka, capital de Bangladesh.

Com idade entre 6 e 14 anos, os pequenos ficam em seus locais de trabalho, em média, 64 horas por semana (mais de 12 horas por dia!) para ganhar menos de 2€. O estudo cita, inclusive, casos de crianças que ficam 110 horas por semana na labuta – e, como consequência, além de serem privadas de sua infância e educação, relatam problemas de saúde, como fadiga extrema, dores nas costas, febre e feridas na pele.

Com o que trabalham? Confeccionando roupas que, muito provavelmente, estão expostas em lojas que todos nós conhecemos. Isso porque o relatório apontou que 2/3 das meninas e cerca de 15% dos meninos atuam na indústria têxtil, produzindo roupas que são exportadas a preços baixíssimos pro mundo todo – inclusive pro Brasil.

O governo de Bangladesh até se pronuncia sobre o assunto, mas as declarações não são nada animadoras. Segundo ele, o país tem leis contra o trabalho escravo infantil, mas faltam pessoas para fiscalizar e fazer com que sejam cumpridas.

Confira aqui o relatório na íntegra, em inglês. Mais uma prova de que sim, em pleno século 21, a escravidão ainda faz vítimas. E não são poucas. 🙁



Débora Spitzcovsky
Débora Spitzcovsky

Débora Spitzcovsky é jornalista, formada pela Universidade Metodista de São Paulo e, desde o início da carreira, atua na área da sustentabilidade. Atualmente, é analista de comunicação sobre o tema na Duratex

Observações

  1. Wesley Maia Diz: janeiro 26, 2017 at 10:07 am

    “O feio trabalha, para o bonito comer”.

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