Não são só as minhocas! Piolhos de cobra também são excelente alternativa para compostagem de lixo orgânico

Não são só as minhocas! Piolhos de cobra também são excelente alternativa para compostagem de lixo orgânico
05 nov 2017

Um estudo realizado pela Embrapa Agrobiologia avaliou a capacidade dos gongolosmais conhecidos como “piolhos de cobra” – na trituração e decomposição do solo. O resultado? Esses bichinhos são tão bons ou, em alguns casos, até melhores do que as minhocas para desempenhar o trabalho de compostar nosso lixo.

Veja, na reportagem abaixo, a partir do 6:35, como foi feita a descoberta e os testes em laboratório. A matéria mostra ainda como se deve fazer a composteira para os gongolos, que é diferente daquela em que colocamos minhocas.

Segundo os pesquisadores, o gongolo é mais eficiente na trituração de resíduos de origem vegetal, que são mais fibrosos – como cascas de árvore, palha de bananeira e capim. Já as minhocas compostam de forma mais eficiente os resíduos orgânicos que saem da nossa cozinha, como restos de comida.

Em casa, portanto, o ideal seria manter uma composteira de cada e, assim, contar com os “piolhos de cobra” para realizar a compostagem das folhas de leguminosas, papelões, gramíneas, podas de árvores e outros restos da limpeza do jardim, por exemplo – sendo que, quanto maior a variedade de materiais vegetais colocados na composteira, melhor será seu desempenho. A receita ideal é:
– 40% de materiais ricos em nitrogênio (como folhas de leguminosas);
– 50% de outros resíduos vegetais (como gramíneas e folhas de bananeira);
– 10% de materiais mais lenhosos ou celulósicos (como poda de árvores e papelão).

A indicação da Embrapa, no entanto, é de que, nessa nova composteira,  coloque-se os resíduos em um anel de cimento (tipo aqueles tubos maiores de esgoto), forrados com lamina de aço, para evitar que os gongolos fujam da área – o que diminuiria a eficiência da compostagem e ainda causaria um problemão em casa. Fechar a composteira com um sombrite bem amarrado também é uma alternativa.

E mais: os gongolos não aguentam excesso de umidade. Por isso, no fundo desse anel é preciso colocar uma camada de brita para que a drenagem dos líquidos gerados durante o processo de compostagem seja bem feita. Outra dica é garantir que para cada 500 litros de resíduos existam 2 litros de gongolos na composteira – o que equivale a cerca de 3.600 indivíduos adultos. A espécie de piolho de cobra escolhida não interfere no processo – valem até os gongolos asiáticos, que são abundantes em solo brasileiro – e o resultado é uma redução de até 70% nos resíduos orgânicos vegetais gerados em casa.

A gongocompostagem, como chamam os especialistas, gera um composto fertilizante extremamente nutritivo cujo uso é bastante recomendado na produção de mudas – sobretudo de hortaliças. O material também pode ser utilizado como substrato para sementeiras ou ainda na fertilização e manutenção das plantas que você cultiva em casa.

Interessou? Recomendamos que leia mais, no site da Embrapa, sobre a pesquisa da gongocompostagem e que acesse ainda o livro ilustrado O Mulungu e os Gongolos, que explica melhor sobre todo o processo.

Foto: Damien Walmsley/Creative Commons



Alice Branco Weffort
Alice Branco Weffort

Escrevo sobre plantas - herança da profissão de agrônoma - e sobre as melhores formas de as usarmos, para a cura - herança da minha avó curandeira. Guerreio por um mundo melhor, para todos - herança da mãe

Observações

  1. Gostei

  2. Marcelo Farias Diz: novembro 9, 2017 at 5:22 am

    Muito interessante a matéria sobre os gongolos

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