Brasil permite consumo de 14 agrotóxicos proibidos mundialmente

Brasil permite consumo de 14 agrotóxicos proibidos mundialmente
01 mar 2016

O Brasil é o maior importador de agrotóxicos do planeta e permite o consumo de pelo menos 14 tipos de substâncias que já são proibidas no mundo, por oferecerem comprovados riscos à saúde humana. Só em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de veneno pela população, o que representa um mercado ascendente de R$ 8 bilhões.

Na lista de “proibidos no exterior e ainda em uso no Brasil” estão Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram. Sem contar as substâncias que já foram proibidas por Lei – por estarem ligadas ao desenvolvimento de câncer e outras doenças de fundo neurológico, hepático, respiratório, renal ou genético -, mas que continuam em uso nas fazendas brasileiras por falta de fiscalização. 

“São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita”, disse a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional do Câncer, em entrevista ao portal de notícias IG.

Ela explica que o perigo de contaminação está na ingestão desses alimentos, mas também no ar, na água e na terra, o que torna o problema ainda mais grave. Produtos primários e secundários que fazem parte de nossa cadeia alimentar representam grande risco de contaminação.

Pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso analisaram 62 amostras de leite materno e encontraram, em 44% delas, vestígios de um agrotóxico já banido, chamado Endosulfan, conhecido por prejudicar os sistemas reprodutivo e endócrino. Além disso, também foram identificados outros venenos, ainda não banidos — é o caso do DDE, versão modificada do potente DDT, presente em 100% dos casos.

Nesta mesma pesquisa, conduzida pelo professor Wanderlei Pignati, concluiu-se que em um espaço de dez anos os casos de câncer por 10 mil habitantes saltaram de 3 para 40. Além disso, os problemas de malformação por mil recém nascidos saltaram de 5 para 20. Assustador, para dizer o mínimo! 

Foto: Flávio Costa/Creative Commons


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Jéssica Miwa
Jéssica Miwa

Mãe do Gael, Googler, jornalista e cofundadora do The Greenest Post. Acredita em pequenas ações que podem mudar o mundo.

Observações

  1. Infelizmente não existe interesse dos que poderiam GRITAR contra este tipo de absurdo, que há muitos anos vem Matando e aleijando a nossa População.
    Tem uma Cidade aqui no Espirito Santo (lavouras de café) que o número de Crianças com Problemas Mentais é alarmante, e Câncer de pele é altíssimo… Só Tem uma maneira de se BARRAR este CRIME, é MOBILIZAR a população para Exigir, que os que estão se Beneficiando, com a importação e aplicação desta desgraça seja definitivamente ENCERRADA…
    Mestry Badahra

  2. Pedro Guilherme Lemes Diz: março 7, 2016 at 9:36 am

    Já parei no primeiro parágrafo. O Brasil é importador? Até onde eu sei muitos dos inseticidas são produzidos aqui mesmo. Foi consumido? Não foi consumido, foi usado, tem carência e tudo mais. O que chega ao consumidor não é nem uma fração disso. O DDT não foi banido??? “O DDT teve sua retirada do mercado em duas etapas: em 1985, teve sua autorização cancelada para uso agrícola; e em 1998, foi proibido para uso em campanhas de saúde pública”. O Brasil está na convenção de estocolmo, e que eu saiba todos agrotóxicos proibidos mundialmente são proibidos aqui também, se tiver excessões, são justificadas. É tanta bobagem e falta de pesquisar desse blog que não sei por onde começar.

    • Jéssica Miwa Jéssica Miwa Diz: março 7, 2016 at 11:47 am

      Olá Pedro, tudo bem? Obrigada por seu comentário! Vou tentar esclarecer alguns pontos abaixo.

      O Brasil se tornou o maior importador de agrotóxico em 2012. Uma rápida pesquisa no Google e você encontrará diversas referências a este assunto.
      Quando utilizamos o termo consumir, não estamos querendo dizer ingerir. O Brasil utiliza agrotóxicos em seus cultivos e isso é um consumo.
      A convenção de Estocolmo prevê a proibição de 23 agrotóxicos e não são os citados no post (segundo parágrafo). Outros países continuam estudando e banindo susbstâncias que fazem mal para a população, coisa que o Brasil deveria fazer, independente da convenção.
      A convenção inclui o Endosulfan, que é citado no texto como já banido, mas encontrado em pesquisas acadêmicas no leite materno de 44% das amostras. Ou seja, banido na teoria, utilizado na prática.

      Você tem razão, não foi DDT encontrado em 100% das amostras, mas o DDE (uma variação do DDT). Obrigada por sua observação, o post já foi atualizado!

    • Pedro Galveas Diz: junho 8, 2016 at 6:47 am

      Parabéns Guilherme. É preciso alguém bater de frente com estes alarmistas desinformados.

  3. Eugenio Telli Diz: março 8, 2016 at 1:38 am

    Boa noite…
    Por favor, onde está publicada a lista dos 14 produtos proibidos? Podem publica-la?
    sugiro também a substituição do termo agrotóxico – por agroquimico, estes produtos são utilizados para controles de doenças, pragas e ervas invasoras nas lavouras do mundo e claro no alimento que praticamente todos comemos, estes produtos são produzidos e registrados no Brasil, sendo que a maiora deles é produzida aqui em seu ciclo completo.
    att
    Eugenio Telli

  4. José Luis Diz: março 13, 2016 at 3:30 pm

    O mais grave não foi citado O FLÚOR NAS ÁGUAS.
    Era o veneno dos NAZISTAS, HOJE UTILIZADO PARA MANTER O POVO DÓCEIS, PORÉM CAUSA INÚMEROS males e doenças
    Atinge milhões de pessoas direta e indiretamente
    🙁

    • Tiago dos Santos Fioravanti Diz: abril 22, 2017 at 7:43 pm

      O fluoreto é um resíduo de descarte das fábricas de panelas de alumínio.
      É uma maneira boa de vender algo que seria caro jogar fora de forma correta, assim penso.
      Muitos não são corretos no descarte, liberando isso e muitos outros materiais em rios e mares, contaminando os frutos marinhos e o sal que todos usam.
      O alumínio das panelas está relacionado a doenças como mal de Parkinson.
      Eu filtro a água na casa inteira.
      Tirando o flúor, ainda tem os agrotóxicos que contaminam o lençol freático, mares, grãos, frangos, bois, etc.
      Eu procuro me afastar disso tudo.
      O fato é que essas coisas adoecem as pessoas, mas ninguém parece querer abrir mão das vendas.
      A maioria dos políticos no Poder Executivo possuem bens como fazendas e/ou empresas, o que nos sugerem entender a permissividade legal de substâncias nocivas no mercado.
      Alguns consideram o custo benefício, mas não é suficiente para gerar a qualidade de vida que gostaríamos de ter a longo prazo na saúde.

  5. Júlia Reina Diz: julho 16, 2016 at 3:40 pm

    Se fizermos um abaixo assinado adiantaria?

    • vamos em frente
      eu acho que esse é o caminho abaixo assinado

    • Tiago dos Santos Fioravanti Diz: abril 22, 2017 at 7:23 pm

      Não funciona. É melhor formar grupos socializados e conectados, para sanar a necessidade, sem depender do mercado.
      Iniciei isso em casa e só compro de locais isentos de veneno, senão, planto em casa. Isso me gerou uma economia que usarei para estudar o cultivo de orgânicos e de adquirir um terreno, para continuar com a atividade e nunca mais precisar comprar um alimento envenenado na vida.
      Dando certo, comercializo para todos.
      Estou devagar por fazer isso empiricamente.
      Já tenho cultivares que superaram as pragas, felizmente, mas ainda é pouco para comemorar cedo. Demanda um pouco de tempo.
      Cansei de esperar eles. 😀
      A dica que dou mais viável para todos é evitar mercados grandes, com produtores grandes e recorrer aos pequenos produtores que usam meios orgânicos ou próximos disso, sempre tentando cultivar algo em casa.
      Infelizmente, os pequenos produtores costumam cobrar um pouco mais, por falta de recursos, mas não fazem por mal. Aceito dicas e críticas focadas no projeto de cultura orgânica, bem como perguntas a esse respeito. Email e facebook: tiago.fioravanti@yahoo.com.br

  6. Paulo Pantel Diz: janeiro 17, 2017 at 9:41 am

    Infelizmente no Brasil as empresas químicas mundiais estendem seus tentaculos aqui e aqui é um grande campo para se ganhar dinheiro , algumas empresas produzem as sementes , os defensivos químicos e depois os remédios que voce utilizara para o resto da vida para controlar sua saúde, é um verdadeiro ciclo vicioso, com anuência das universidades e agronomos que só aprendem está prática, infelizmente se aprende pouco ou poucos agronomos tem interesse na agricultura organica, uma solução seria as hortas urbanas e periurbanas feitas pela comunidade para pelo menos aliviar um pouco o uso de alimentos contaminados, e muitas vezes o produtor além de não ter conhecimento e iludido por quem quer vender os defensivos. Existe uma preocupação da FAO para que se diminua o uso destes defensivos no mundo e principalmente nos países em desenvolvimento que são grandes produtores de matéria prima para o uso na alimentação.

  7. Marcos Leal Diz: maio 1, 2017 at 9:43 pm

    Olá Jéssica Miwa, gostei muito do post. Sou produtor de orgânicos e estou começando um blog a respeito do tema. Se me permite usarei uma parte de sua notícia. Claro que referenciando ela a você.
    Li os comentários acima, dei muita risada dos contrários. Mas como diz Mario Serio Cortella “De nada adianta um bom conselho para quem não quer escutar – Àqueles que sofrem de surdez seletiva, ou seja, que não acham necessário fazer o que é certo, o ensino se torna inútil. Ou, como escreveu o alemão Johann Wolfgang von Goethe, em ‘Fausto’: ‘morre o dizer sagaz na orelha dura’.

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