Cesárea ou parto normal? 7 fatos que você precisa saber antes de decidir como terá seu bebê

Cesárea ou parto normal? 7 fatos que você precisa saber antes de decidir como terá seu bebê
15 jan 2016

O Brasil é um país campeão em cesarianas. Segundo o Ministério da Saúde, 54% das grávidas são submetidas à cirurgia. Apenas 46% têm parto normal. Em alguns hospitais da rede privada, o índice de cesariana chega a 92% (!). A Organização Mundial da Saúde defende recomenda que a taxa não passe de 15% em todo o país. Será que a mulher brasileira esqueceu como parir?

A resposta é, obviamente, não. O corpo feminino ainda é completamente capaz de parir. Mas existe um imaginário antigo, que provavelmente ganhou mais força a partir dos anos 70, de que parto é algo perigoso e deve ocorrer em um ambiente hospitalar. Assim os interesses médicos tomaram de vez o cenário brasileiro. Não é mais a mulher que pari, mas o médico que faz o parto.

Com o passar do tempo, esse “poder” sob o corpo feminino foi ganhando mais força. Por que alguém passaria horas acompanhando um trabalho de parto se pode resolver tudo em meia hora, por meio de uma cirurgia? Perda de tempo. E tempo é dinheiro. Trabalhos de parto são, em sua grande maioria, longos e imprevisíveis. A agenda no consultório não espera.

Algumas mulheres querem, por “escolha própria”, passar pela cirurgia. Essa mulher foi influenciada ao longo de anos com milhares de mitos sobre o parto normal, viu diversas cenas em filmes e novelas de partos normais (que não condizem com a realidade) e nunca deve ter ouvido um relato de parto normal respeitoso, sem procedimentos invasivos, típicos de hospitais.

A grande maioria das mulheres quer um parto normal. Conta para seu médico sobre o seu desejo e ao longo do pré-natal é influenciada por comentários mal intencionados do tipo “você é mesmo corajosa” ou “esse bebê está muito grande para você”. Se isso não funcionar, muitos profissionais apelam para o mito do cordão assassino ou da falta de dilatação e completam “você não quer correr o risco de perder seu bebê, né?”. Isso chega a ser cruel. Eu já estive no lugar delas e foi difícil achar o caminho certo para meu parto natural.

Mas existem mulheres que realmente precisam da cirurgia — que salva vidas neste caso, e deve ser louvada! Esta mulher é mais rara de se encontrar porque é muito difícil ter uma indicação real de cesariana. Afinal, a natureza não é burra. Apenas cerca de 15% das gestantes necessita realmente do procedimento, segunda a OMS.

Agora, ao que interessa. Você pode escolher se quer um parto normal ou uma cirurgia cesariana. Mas para fazer essa escolha é preciso que algumas coisas fiquem claras e que alguns mitos sejam desmentidos. Confira, abaixo, 7 fatos que você precisa saber antes de decidir de que forma quer ter seu bebê.

1) Maior risco de morte materna.

A cesariana é uma cirurgia muito invasiva. Dito isso, podemos levar em conta possíveis sangramentos, infecções ou reações negativas à anestesia. Um estudo publicado no American Journal of Obstetrics and Ginecology, chamado “Morte Materna no Século XXI”, analisou 1,46 milhão de partos. Enquanto a taxa de morte pós-parto normal foi de 0,2 para cada 100 mil, no caso das cesarianas ela chegou a 2,2 para a mesma proporção. A reincidência de cirurgias, na segunda ou terceira gestação, aumenta o risco ainda mais. Não é para menos que existe um número máximo de filhos que se pode ter por meio da cirurgia.

2) O bebê pode sofrer com problemas respiratórios e parar na UTI.

Muitas vezes a cesariana é marcada para que a família e o médico possam se programar, o que pode ser perigoso. Se o bebê não iniciou o trabalho de parto significa que ele não está pronto para nascer. Dificuldades em respirar e internação na UTI neonatal são provas disso. Segundo o Ministério da Saúde, a prematuridade é a principal causa de morte infantil no primeiro mês de vida — que poderia ser evitado, se o tempo do bebê para sair da barriga da mãe fosse respeitado.

3) Maior chances de abortos espontâneos.

Cada corpo é um corpo e ninguém pode garantir que todos se comportarão da mesma maneira. Mas estudos comprovam que depois de uma cesariana há maiores chances de abortos espontâneos em futuras gestações.

4) Cesariana pode atrapalhar amamentação.

Estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition aponta que a cesariana, principalmente a eletiva (marcada fora do trabalho de parto), pode comprometer o aleitamento materno. Isto porque a amamentação precoce pós-cirurgia cesariana é 43% menor em relação ao parto vaginal.

Outra coisa que pode ser fundamental para o sucesso da amamentação é o início do trabalho de parto. Segundo o estudo, a lactação é mais bem-sucedida na cesariana intraparto (que não é marcada, ou seja, quando ocorre durante o trabalho de parto). Leia mais sobre isso aqui.

5) Há maiores chances da criança desenvolver asma e alergias.

Pesquisas recentes apontam que a falta de contato com a flora vaginal (bactérias presentes no canal pelo qual o bebê passa durante o parto normal) está diretamente ligada com o desenvolvimento de doenças crônicas como asma, alergias, obesidade e diabetes tipo 1 — entre outras.

6) Recuperação da cesariana é mais lenta.

A recuperação de uma cirurgia é sempre dolorosa. Algumas mulheres têm mais facilidade em lidar com isso, outras sofrem mais com o pós-parto. Fato é que recém-nascidos precisam de atenção e muitos cuidados (principalmente dos pais). A amamentação é uma fase delicada, assim como a adaptação do sono e do novo membro da família. Estar 100% nessas horas faz toda diferença!

7) Há risco de machucar o bebê na cesariana.

Sempre há um risco de cortar o bebê junto com as sete camadas de pele que o médico corta até chegar nele. Você se lembra da história da menina que nasceu com a cabeça cortada após a cesariana? Este caso é um extremo, claro, mas segundo estudo da University of Texas Southwestern, um em cada cem bebês é machucado durante a cirurgia. São sete camadas de pele a ser cortada e muitas cirurgias realizadas em pouco espaço de tempo.

Foto: Patrick Linehan/Creative Commons



Jéssica Miwa
Jéssica Miwa

Mãe do Gael, Googler, jornalista e cofundadora do The Greenest Post. Acredita em pequenas ações que podem mudar o mundo.

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