3 iniciativas de sucesso que provam que São Paulo está cada vez mais verde

3 iniciativas de sucesso que provam que São Paulo está cada vez mais verde
16 fev 2016

Post de Renata Vinhas, originalmente publicado no site Eco Rede Social

São Paulo é uma cidade impermeável em muitos sentidos, tanto com relação à penetração da água no solo, como na quantidade exacerbada de concreto nos prédios. De certo modo, essa aridez também se reflete nos cidadãos, que tendem a se isolar, buscando a proteção de suas casas e abrindo mão de um lazer mais social. Tudo muito diferente dos tempos antigos, quando a violência era menor. Ou das cidades menores, onde as pessoas ainda mantêm o costume de ir às praças, conversar nas calçadas e deixar as crianças brincarem nas ruas.

As consequências diretas da impermeabilização nas cidades são três: ocorrência de enchentes, concentração de calor e baixo índice de vegetação. Áreas verdes auxiliam no combate a esses problemas. Permitem a infiltração da água pluvial no solo, purificam o ar contaminado pelas fábricas e meios de transporte, amenizam o calor gerado pela grande concentração de concreto e contêm o excesso de ruídos das atividades de construção e manutenção da infraestrutura das cidades (pontes, trens, prédios…). Já o problema da “impermeabilização nas pessoas” impacta a qualidade de vida. Os cidadãos tornam-se menos sociáveis e perdem o contato com a natureza.

Segundo dado da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, em 2014, o indicador de área verde por habitante na capital paulista atingiu o patamar satisfatório de 14,07 m² por habitante. Porém, basta olhar em volta e observar que esse índice é realidade apenas em regiões periféricas, próximas aos poucos fragmentos de Mata Atlântica, de represas, ou nos poucos bairros afortunados que contam com um parque nas imediações. Realmente, ainda segundo a Secretaria, quando se exclui a área de reservas ambientais, esse índice despenca para 2,88 m² por habitante, muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde de 12 m² por habitante.

Felizmente, para reverter essa tendência, um movimento vem ganhando cada vez mais espaço: a construção de áreas verdes urbanas, seja para fins paisagísticos ou hortas, em espaços que antes não eram cogitados como disponíveis para áreas verdes, como paredes e telhados.

1. ELEVADO COSTA E SILVA
O exemplo mais inovador e recente são os paredões dos prédios vizinhos ao Minhocão, na zona central da cidade. O plantio vertical só foi possível graças a um decreto publicado pela Prefeitura que permite que as empresas façam a compensação ambiental por meio da instalação de jardins verticais e telhados verdes.

2. SHOPPING ELDORADO
Outro case pioneiro é o do shopping Eldorado, na zona Oeste. Desde 2012, implantou uma horta em seu telhado com a finalidade principal de realizar a compostagem dos resíduos orgânicos provenientes da praça de alimentação.

3. PÉ DE FEIJÃO
E, como último exemplo, a ONG Pé de Feijão, que nasceu em 2014, com a proposta de unir consciência ambiental e educação alimentar, transformou a construção de áreas verdes em negócio. A organização ocupa os espaços privados da cidade a fim de aumentar o nível de bem-estar do cidadão. A ONG já conta com dois projetos de referência: uma horta implantada no topo do prédio da empresa Serasa Experian e outra no telhado da Fábrica de Criatividade, um centro de inovação, cultura e arte instalado no Bairro do Capão Redondo, um bairro periférico e muito carente de área verde.

Por fim, fica a reflexão sobre o enorme potencial de expansão desse tipo de projeto. Dada a quantidade de prédios corporativos de São Paulo que teriam capacidade para receber uma área verde, seja no topo ou na lateral, dá para se ter uma ideia de como seriam arborizados os nossos grandes centros comerciais. Imagine os benefícios na educação, no clima, na redução de ruídos, no escoamento da água. Vamos torcer para que essa seja uma nova “onda verde” que chega para contagiar o maior número de estabelecimentos possíveis.

Foto: Divulgação/ONG Pé de Feijão


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